terça-feira, 21 de outubro de 2014


Um mundo com muitas diferenças mas, lindo e sujo ao mesmo tempo, um mundo onde a religião está se acabando, mas, com a mão de Deus, de Jesus e sua mãe a religião nunca se acabara, é um Mundo muito moderno, mas. a onde o passado não tem fim, dai a grande necessidade de vermos o mundo como São Francisco viu!
 
 
São Francisco era  caridoso, ajudava muitas pessoas e  pregava o Evangelizo e provavelmente se ele vivesse nos dias de hoje iria olhar para as pessoas envolvidas com droga tentando ajuda-las a se livrar do vício.

terça-feira, 14 de outubro de 2014


Introdução
Santa Clara e suas Irmãs receberam algumas orientações de São Francisco como “forma de vida” desde 1212, quando ingressaram na nova vida de Irmãs Pobres. Foi quanto bastou até 1215, quando, em obediência ao Concílio de Latrão, que mandava os institutos recentes se adaptarem às Regras antigas, tiveram que professar a Regra de São Bento. Foi então (1216) que Clara obteve de Inocêncio III o seu primeiro “Privilégio da Pobreza”. 
Em 1219, alguns mosteiros receberam a Regra do Cardeal Hugolino, que adaptava melhor a elas a Regra de São Bento, incluindo alguns pontos da sua “forma de vida” prática, mas deixando fora toda a pobreza franciscana, além de ignorar que elas estavam ligadas à Ordem dos Frades Menores, então no início, e que uma de suas bases era a vida fraterna. 
A Regra de Hugolino parece ter tido a colaboração de Frei Filipe Longo de Atri, um dos primeiros companheiros de São Francisco. Na bula “Angelis gaudium”, que mandou para Inês de Praga aos 11 de maio de 1238 (Ver BF I, 242-244), o Papa Gregório IX chega a afirmar que São Francisco aceitou essa Regra para as “Senhoras Pobres”. 
Mas o fato é que São Damião foi sempre especial. Clara continuou a se apoiar na “forma de vida” de São Francisco e no “privilégio da pobreza”. 
É bem provável que a partir de 1223, com a aprovação da Regra definitiva de São Francisco, Clara já tenha reelaborado a primitiva forma d vida dada por Francisco. Pode até ter tido alguma colaboração dele para isso. Mas foi Inocêncio IV quem acabou dando impulso definitivo para a forma de vida clariana. Após ter insistido na obrigatoriedade da Regra de Hugolino em 1245, o Papa Inocêncio suspendeu a observância da Regra de Sã Bento no dia 6 de agosto de 1247, permitiu que as Irmãs professassem formalmente a Regra de São Francisco e as submeteu à Ordem do Frades Menores, mas apresentou uma nova Regra, onde continuou a ignorar a pobreza a vida fraterna do ideal franciscano. Houve resistência de alguns mosteiros para aceita-la, e ele a confirmou com um documento mais forte, ainda no mesmo ano. Como a resistência continuasse, ele declarou, em 1250, que não tinha a intenção de obrigar a seguir a sua Regra. 
Foi então que Clara se animou a completar a sua “Forma de Vida”, pela qual deve ter ansiado por todo o tempo, pois queria viver os grandes ideais que ela e Francisco tinham concebido por inspiração de Deus. Essa forma de vida, a primeira Regra escrita por uma mulher, foi aprovada por Reinaldo, cardeal protetor, aos 16 de setembro de 1252, pelo Papa Inocêncio IV, com uma bula “Solet annuere” aos 9 de agosto de 1253. Clara recebeu-a no dia 10 e morreu no dia 11. 
Era o ponto de chegada de uma longa experiência de vida, feita na devesa da pobreza e da fraternidade. A Idade Média contou com um grupo destacado de mulheres muito capazes e muito santas, mas nenhuma ousou escrever uma regra, como Clara, e nenhuma teve sobre seus contemporâneos e pósteros toda a influência que ela teve. 
O documento escrito por Clara prova que ela conhecia muito bem e soube usar com precisão tanto a regra de São Francisco como a de São Bento, tanto a de Hugolino como a de Inocêncio IV e ainda enriqueceu o conjunto com seu conhecimento da Bíblia, dos autores sacros do seu tempo e de uma experiência toda original. 
Na realidade, como os mosteiros eram independentes entre si e a exigência de Clara pela pobreza era muito forte, sua Regra foi aprovada para São Damião e acolhida integralmente por poucos outros mosteiros, embora fossem cerca de cento e cinqüenta que aderiam à sua forma de vida em 1253. Já em 1259, aparecia a Regra de Isabel de Logchamps, irmã de São Luís da França, feita com a colaboração de diversos peritos e até mesmo de São Boaventura. Foi a que teve maior aceitação na França e na Inglaterra. E aos 18 de outubro de 1263, dez anos depois da morte da Santa, o Papa Urbano IV já apresentava uma nova Regra para as “Clarissas” (nome então introduzido por ele) de todo o mundo. 
A partir daí, começou-se a chamar de Regra Primeira a de Clara e de Regra Segunda a de Urbano. A Regra Segunda não conseguiu a unanimidade que pretendia, mas, por admitir propriedades, foi amplamente aceita, sendo a adotada por alguns mosteiros até hoje. No começo do século XV, havia cerca de quinze mil clarissas em quatrocentos mosteiros, e a regra predominante era a urbaniana. A Rega Primeira voltou ao seu vigor com a reforma feita nessa época por Santa Coleta de Córbia ou em alguns ramos reformados das clarissas, como o das Capuchinhas, fundadas em1537 por Maria Lourença Longo. 
Foi assim que chegamos ao fim do século XIX com não poucas incertezas sobre o texto completo e genuíno da Forma de Vida de Santa Clara. Mas em 1893, surpreendentemente, foi encontrado, no meio das roupas da Santa guardadas no mosteiro de Assis, uma caixa com o pergaminho original em que Inocêncio IV aprovou, no dia 9 de agosto de 1253, a regra original de Santa Clara. Não traz a caligrafia dela e sim a de um secretário da Cúria Romana, mas duas pequenas anotações são do próprio Papa. 
Na parte superior do pergaminho, Inocêncio IV escreveu à mão: Ad instar Fiat S. (Faça-se assim, S.). Embaixo colocou: Ex causis manifestis michi et protectorii mon[asterii] Fiat ad instar (Por razões conhecidas por mim e pelo protetor do mosteiro, faça-se assim). A primeira frase é uma fórmula de assentimento escrita e assinada, que o Papa colocava nos requerimentos que a chancelaria pontifícia estava redigindo e lhe apresentava antes de prosseguir. O representa Sinibaldo, o nome de batismo do Papa. Habitualmente, era só depois de obter essa aprovação que a chancelaria papal retomava o requerimento e compunha o texto definitivo. No caso da Regra de Santa Clara, requerimento e bula são o mesmo documento. Clara não deve ter feito o pedido por escrito. Inocêncio teve que se apressar, porque ela estava morrendo. Ele foi visitá-la no dia 9 de agosto e, nesse mesmo dia, assinou a bula. Um frade levou-a do convento de São Francisco, onde o Papa estava hospedado, até São Damião, provavelmente no dia 10 de agosto. Ela morreu no dia 11. 
O texto no pergaminho é corrido, sem subtítulos. Mas a divisão em capítulos é muito antiga, e por isso nós a colocamos em letras menores e marcamos os versículos em cada capítulo. A divisão em doze é artificial, não corresponde exatamente aos assuntos, foi feita provavelmente para imitar a da Regra de São Francisco (também dividida posteriormente) e é uma provável homenagem aos doze apóstolos. 
Para uma compreensão melhor da Regra, além das notas, remetemos ao estudo do Privilégio da Pobreza e das Regras de Hugolino e Inocêncio, que incluímos neste mesmo programa. 
O texto latino da Regra de Santa Clara está hoje muito bem estabelecido em diversas publicações européias, feitas a partir da edição de “Seraphicae Legislationis textus originales”, de Quaracchi, 1897. Para este programa, usamos o texto e a divisão em versículos de “Claire d’ Assise: Écrits”, de M.F Becker, J. F. Godet, T. Matura (Paris, Les Èditions du Cerf, 1985). Também nos apoiamos no texto de Omaechevarría, dos “Escritos de Santa Clara”, na segunda edição da BAC (Madrid 1982). Também cotejamos, posteriormente, com a edição de “Fontes Franciscani”, em latim. 
A introdução e a conclusão da Bula, que não são de Santa Clara, vão entre colchetes. 
Para ler e estudar a “Forma de Vida de Santa Clara”, usamos a sigla RSC (Regra de Santa Clara) acompanhada do números de 1 a 12 ou das palavras “pro” (prólogo) e “epi” (epílogo), que são da bula pontifícia. 


Prólogo


Bula do Papa Inocêncio IV
1 Inocêncio, bispo, servo dos servos de Deus. 

2 Às diletas filhas em Cristo: a abadessa Clara e as outras Irmãs do mosteiro de São Damião em Assis, saudação e bênção apostólica. 

3 Costuma a Sé Apostólica aceder aos votos piedosos e conceder benévolo favor aos desejos honestos dos que a imploram. 
4 De fato, diante de nós está uma súplica humilde da vossa parte para a forma de vida que deveis viver comunitariamente em espírito de unidade e com o voto da altíssima pobreza (cfr. 2Cor 8,2), 
5 dada pelo bem-aventurado Francisco e por vós espontaneamente acolhida. 
6 O nosso venerável irmão bispo de Óstia e de Velletri julgou que deveria ser aprovada, de acordo com o que está contido mais plenamente na sua carta, 
7 para que tivéssemos o cuidado de confirmá-la com a autoridade apostólica. 
8 Por isso, inclinados para as preces da vossa devoção, tendo por ratificado e agradável o que foi feito pelo referido bispo neste assunto, nós o confirmamos com autoridade apostólica e o munimos com a patrocínio do presente escrito, 
9 fazendo inserir neste documento, palavra por palavra, o teor da própria carta, que é o seguinte: 
10 Reinaldo, por misericórdia divina bispo de Óstia e de Velletri, à sua caríssima mãe e filha em Cristo, dona Clara, abadessa de São Damião de Assis, 
11 e às suas Irmãs tanto presentes como futuras, saudação e bênção paternal. 

12 Porque vós, amadas filhas em Cristo, desprezastes as pompas e prazeres do mundo
13 e, seguindo os vestígios cfr. 1Pd 2,21) do próprio Cristo e de sua Mãe santíssima, escolhestes uma vida enclausurada e o serviço do Senhor na mais alta pobreza, para poder ser servas do Senhor com espírito livre,
14 nós, recomendando no Senhor vosso santo propósito, queremos de boa vontade, com afeto paterno, conceder benévolo favor aos vossos votos e aos vossos santos desejos. 
15 Por isso, movidos por vossas piedosas preces, a forma de vida e o modo de santa unidade e altíssima pobreza (cfr. 2Cor 8,2) que o vosso bem-aventurado pai Francisco, em palavras e por escrito, vos transmitiu para que observásseis,
16 e que aqui está anotada, fica por nós confirmada para sempre, com a autoridade do senhor papa e a nossa, para vós todas e para as que vos haverão de suceder no vosso mosteiro, e munida com a proteção do presente escrito . 
17 Ela é como segue: 


Capítulo 1

Em nome do Senhor começa a forma de vida das irmãs pobres
1 A forma de vida da Ordem das Irmãs Pobres, que o bem-aventurado Francisco instituiu, é esta: 
2 Observar o santo evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem nada de próprio e em castidade. 

3 Clara, serva indigna de Cristo e plantinha do bem-aventurado pai Francisco, promete obediência e reverência ao senhor papa Inocêncio e aos seus sucessores canonicamente eleitos e à Igreja Romana. 

4 E, como no princípio de sua conversão, juntamente com suas Irmãs, prometeu obediência ao bem-aventurado Francisco, assim promete guardá-la inviolavelmente para com seus sucessores. 

5 E as outras Irmãs sejam sempre obrigadas a obedecer aos sucessores de São Francisco, à Irmã Clara e às outras abadessas canonicamente eleitas que a sucederem. 


Capítulo 2

Sobre as que quiserem aceitar esta Vida e como deverão ser recebidas
1 Se alguém, por inspiração divina, vier ter conosco querendo abraçar esta vida, a abadessa deverá pedir o consentimento de todas as Irmãs. 
2 E se a maioria concordar, poderá recebê-la, tendo obtido a licença do nosso cardeal protetor. 
3 Se achar que deve ser recebida, examine-a diligentemente, ou a faça examinar sobre a fé católica e os sacramentos da Igreja. 
4 Se crer em tudo isso e quiser confessá-lo fielmente e observá-lo firmemente até o fim, 
5 não tiver marido ou, tendo-o, já houver entrado na vida religiosa com autorização do bispo diocesano, e feito o voto de continência, 
6 e se não for impedida de observar esta vida pela idade avançada ou alguma enfermidade ou deficiência mental, 
7 que lhe seja exposto diligentemente o teor de nossa vida. 

8 Se for idônea, digam-lhe a palavra do Santo Evangelho: que vá vender tudo que é seu e procure dá-lo aos pobres (cfr. Mt 19,21). 
9 Se não puder fazer isso, baste-lhe a boa vontade. 
10 Mas a abadessa e suas Irmãs evitem preocupar-se com suas coisas temporais, para que possa livremente fazer do que for dela o que o Senhor lhe inspirar. 
11 Se pedir conselho, mandem-na a pessoas discretas e tementes a Deus para dar os bens aos pobres de acordo com sua orientação. 

12 Depois, cortados os cabelos em círculo e depostas as roupas seculares, dêem-lhe três túnicas e um manto. 
13 Depois disso, não lhes seja permitido sair do mosteiro sem um motivo útil, razoável, manifesto e aprovado. 
14 Mas, terminado o ano da provação, seja recebida na obediência prometendo observar para sempre a vida e a forma da nossa pobreza. 
15 Nenhuma receba o véu durante o tempo da provação. 
16 As Irmãs podem ter também aventais por comodidade ou conveniência do serviço e do trabalho. 
17 Proveja-as a abadessa de roupas com discrição, conforme a situação das pessoas, os lugares, tempos e regiões frias, como lhe parecer exigido pela necessidade. 
18 As jovens recebidas no mosteiro antes da idade legítima tenham o cabelo cortado em círculo; 
19 e, deixando a roupa secular, sejam vestidas com um pano religioso, como parecer melhor à abadessa. 
20 Mas, quando chegarem à idade legítima, vestidas à maneira das outras, façam a sua profissão. 
21 Tanto para elas como para as outras noviças, a abadessa providencie com solicitude uma mestra entre as mais discretas de todo o mosteiro, 
22 que as forme diligentemente, por um comportamento santo e bons costumes, de acordo com a forma de nossa profissão. 
23 Para examinar e aceitar as Irmãs que servem fora do mosteiro observe-se a mesma forma. E estas poderão usar calçados. 
24 Ninguém poderá morar conosco no mosteiro, se não tiver sido recebida segundo a forma de nossa profissão. 
25 E, por amor do santíssimo e diletíssimo Menino deitado no presépio envolto em panos pobrezinhos (cfr. Lc 2,7.12), e de sua santíssima Mãe, admoesto, peço e exorto minhas Irmãs a se vestirem sempre de roupas vis.


Capítulo 3

Sobre o ofício divino e o jejum, a confissão e a comunhão
1 As Irmãs que sabem ler rezem o ofício divino conforme o costume dos frades menores, pelo que poderão ter breviários, lendo sem canto. 
2 E aquelas que, por causa razoável, alguma vez não puderem dizer suas Horas lendo, possam dizer os Pai-nossos como as outras Irmãs. 
3 E as Irmãs que não sabem ler digam vinte e quatro Pai-nossos pelas Matinas; cinco pelas Laudes, 
4 por Prima, Terça, Sexta e Noa, por cada uma dessas horas, sete; pelas Vésperas doze e pelas Completas sete. 
5 Pelos defuntos rezem também nas Vésperas sete Pai-nossos com o Requiem aeternam (cfr. Esd 2,34-35) e doze nas Matinas, 
6 quando as Irmãs letradas tiverem que rezar o ofício dos mortos. 
7 Quando morrer uma Irmã de nosso mosteiro, digam cinqüenta Pai-nossos. 

8 As Irmãs jejuem em todo o tempo. 
9 Mas no Natal do Senhor, seja em que dia for, podem alimentar-se duas vezes. 
10 As adolescentes, as fracas e as que servem fora do mosteiro sejam misericordiosamente dispensadas, como parecer à abadessa.
11 Mas em tempo de manifesta necessidade as Irmãs não sejam obrigadas ao jejum corporal. 
12 Com licença da abadessa, confessem-se pelo menos doze vezes por ano. 
13 E devem ter o cuidado de não falar de outras coisas senão das que dizem respeito à confissão e à salvação das almas. 
14 Comunguem sete vezes, a saber: no Natal do Senhor, na Quinta-feira santa, na Ressurreição do Senhor, no dia de Pentecostes, na Assunção de Nossa Senhora, na festa de São Francisco e na festa de todos os santos.
15 Para dar a comunhão às Irmãs, sãs ou doentes, seja permitido ao capelão celebrar dentro (da clausura).


Capítulo 4

Sobre a eleição e o ofício da abadessa, sobre o capítulo e as oficiais e discretas
1 Na eleição da abadessa, as Irmãs sejam obrigadas a observar a forma canônica.
2 Procurem elas mesmas com antecedência ter o ministro geral ou provincial da Ordem dos Frades Menores, 
3 que as prepare pela palavra de Deus para toda concórdia e utilidade comum na eleição a fazer. 
4 Ninguém seja eleita se não for professa. 
5 E se fosse eleita ou nomeada de outra forma uma não professa, não se lhe obedeça, se primeiro não fizer a profissão da forma de nossa pobreza.
6 Quando ela morrer, eleja-se outra abadessa. 
7 E se alguma vez parecer à totalidade das Irmãs que a sobredita não é suficiente para o serviço e a utilidade comum delas, 
8 sejam obrigadas as referidas Irmãs a eleger quanto antes outra para ser sua abadessa e mãe, de acordo com a forma predita. 
9 A eleita pense no ônus que assumiu e naquele a quem deverá prestar contas (cfr. Mt 12,36; Hb 13,17) pelo rebanho que lhe foi confiado. 
10 Empenhe-se também em estar à frente das outras mais pelas virtudes e bons costumes do que pelo cargo, para que, estimuladas por seu exemplo, as Irmãs lhe obedeçam mais por amor que por temor.
11 Não tenha amizades particulares para não amar mais uma parte, escandalizando no conjunto.
12 Console as aflitas. Seja também refúgio final das atribuladas (cfr. Sl 31,7) de modo que, se faltarem junto a ela os remédios da saúde, não prevaleça nas enfermas a doença do desespero. 
13 Conserve a vida comunitária em tudo, principalmente na igreja, no dormitório, no refeitório, na enfermaria e nas roupas. 
14 E isso tem que fazer do mesmo modo a sua vigária. 
15 Pelo menos uma vez por semana, a abadessa tenha que convocar suas Irmãs para um capítulo. 
16 Aí, tanto ela quanto as Irmãs devem confessar humildemente suas faltas e negligências comuns e públicas. 
17 E tratem aí, de acordo com todas as Irmãs, o que for necessário para a utilidade e o bem do mosteiro, 
18 porque muitas vezes o Senhor revela à menor o que é melhor. 
19 Não se contraia nenhuma dívida grave sem o consenso comum das Irmãs e sem manifesta necessidade, e isso através de um procurador. 
20 Mas a abadessa e suas Irmãs devem guardar-se de receber algum depósito no mosteiro; 
21 porque disso nascem muitas vezes perturbações e escândalos. 
22 Para conservar a unidade do amor mútuo e da paz, elejam-se todas as responsáveis pelos cargos do mosteiro de comum acordo de todas as Irmãs.
23 Do mesmo modo elejam-se ao menos oito Irmãs das mais discretas, de cujo conselho a abadessa tenha sempre que servir-se nas coisas requeridas por nossa forma de vida.
24 As Irmãs podem, e até devem, se lhes parecer útil e conveniente, remover alguma vez as responsáveis e discretas e eleger outras no lugar delas.


Capítulo 5

Sobre o silêncio, o locutório e a grade
1 As Irmãs, com exceção das que servem fora do mosteiro, observem o silêncio desde a hora de Completas até a Terça. 
2 Calem-se também continuamente na igreja e no dormitório; no refeitório, só enquanto comem; 
3 com exceção da enfermaria, em que as Irmãs sempre podem falar discretamente para distrair as doentes e cuidar delas.
4 Mas podem insinuar o que for necessário sempre e em toda parte, brevemente e em voz baixa. 

5 Não seja permitido às Irmãs falar no locutório ou na grade sem licença da abadessa ou de sua vigária. 
6 As que tiverem licença não ousem conversar no locutório a não ser na presença de duas Irmãs que as possam ouvir. 
7 Mas não se atrevam a chegar à grade se não estiverem presentes pelo menos três Irmãs escolhidas pela abadessa ou por sua vigária entre as oito eleitas por todas as Irmãs para o conselho da abadessa.
8 A abadessa e sua vigária têm que observar essa mesma forma de falar. 
9 E isso só se faça rarissimamente na grade, e de maneira nenhuma na porta. 
10 Por dentro dessa grade ponha-se um pano, que não será removido a não ser quando se prega a palavra de Deus ou quando alguma Irmã falar a alguém. 

11 Deve ter também uma porta de madeira, bem defendida por duas fechaduras de ferro diferentes, ferrolhos e trancas, 
12 para que sejam fechadas, máxime de noite, com duas chaves, uma das quais ficará com a abadessa, e a outra com a sacristã. 
13 E fique sempre fechada, menos quando se ouve o ofício divino ou pelas causas acima lembradas. 

14 Ninguém deve falar com alguém na grade, de modo algum, antes do nascer do sol ou depois do pôr do sol. 
15 Mas no locutório fique sempre por dentro um pano, que não deve ser removido. 
16 Na quaresma de São Martinho e na quaresma maior, ninguém fale no locutório, 
17 a não ser ao sacerdote para se confessar ou por outra necessidade manifesta, o que está reservado à prudência da abadessa ou de sua vigária. 


Capítulo 6

Não devem ter propriedades
1 Depois que o altíssimo Pai Celeste se dignou iluminar o meu coração pela sua graça para que eu fizesse penitência conforme o exemplo e o ensinamento de nosso pai São Francisco, pouco depois da conversão dele, eu lhe prometi obediência voluntariamente, junto com minhas Irmãs. 
2 Vendo o bem-aventurado pai que não temíamos nenhuma pobreza, trabalho, tribulação, humilhação e desprezo do mundo, antes tínhamos tudo isso como um prazer, movido de piedade escreveu-nos uma forma de vida deste modo: 
3 “Desde que por inspiração divina vos fizestes filhas e servas do Altíssimo Sumo Rei Pai celeste e desposastes o Espírito Santo optando por uma vida de acordo com a perfeição do santo Evangelho, 
4 eu quero e prometo, por mim e por meus frades, ter por vós o mesmo cuidado diligente e uma solicitude especial, como por eles”. 
5 Cumpriu-o diligentemente enquanto viveu, e quis que fosse sempre cumprido pelos frades. 
6 E para que nem nós nem as que viriam depois de nós jamais nos afastássemos da santíssima pobreza que assumimos, pouco antes de sua morte escreveu-nos de novo expressando sua última vontade: 
7 “Eu, Frei Francisco, pequenino, quero seguir a vida e a pobreza do Altíssimo Senhor nosso Jesus Cristo e de sua santíssima Mãe e nelaperseverar até o fim (cfr. Mt 10,22). 
8 Rogo-vos, senhoras minhas, e vos aconselho a que vivais sempre nessa santíssima vida e pobreza. 
9 Guardai-vos bastante de vos afastardes dela de maneira alguma pelo ensinamento de quem quer que seja”. 
10 E como eu sempre fui solícita com minhas Irmãs, na observância da santa pobreza que ao Senhor Deus e ao bem-aventurado Francisco prometemos guardar, 
11 assim sejam obrigadas as abadessas que me sucederem no cargo e todas as Irmãs a observá-la inviolavelmente até o fim: 
12 isto é, a não aceitar nem ter posse ou propriedade nem por si, nem por pessoa intermediária, 
13 e nem coisa alguma que possa com razão ser chamada de propriedade, 
14 exceto aquele tanto de terra requerido pela necessidade para o bem e o afastamento do mosteiro. 
15 E essa terra não será trabalhada a não ser para a horta e a necessidade delas. 


Capítulo 7

O modo de trabalhar
1 As Irmãs a quem o Senhor deu a graça de trabalhar trabalhem com fidelidade e devoção, depois da hora de Terça, em um trabalho que seja conveniente à honestidade e ao bem comum, 
2 de modo que, afastando o ócio, inimigo da alma, não extingam o espírito (cfr. 1Ts 5,19) da santa oração e devoção, ao qual as outras coisas temporais devem servir. 
3 A abadessa ou a vigária devem indicar em capítulo, diante de todas, o que cada uma deverá fazer com as próprias mãos.
4 O mesmo se faça se alguém enviar alguma esmola para as necessidades das Irmãs, para que pelo bem dessas pessoas se faça uma recomendação em comum. 
5 E todas essas coisas sejam distribuídas pela abadessa ou por sua vigária, com o conselho das discretas, para a utilidade comum. 


Capítulo 8

Que as Irmãs de nada se apropriem, sobre o pedir esmolas e sobre as Irmãs doentes
1 As Irmãs não se apropriem de nada, nem casa, nem lugar, nem coisa alguma.
2 E como peregrinas e forasteiras (cfr. Sl 38,13; 1Pd 2,11) neste mundo, servindo ao Senhor na pobreza e na humildade, mandem pedir esmola confiadamente, 
3 e não precisam ficar com vergonha, porque o Senhor se fez (cfr. 2Cor 8,9) pobre por nós neste mundo.
4 Esta é a sublimidade da altíssima pobreza (cfr. 2Cor 8,2) que vos fez, minhas caríssimas Irmãs, herdeiras e rainhas do reino dos céus, pobres (cfr. Tg 2,5) em coisas, mas sublimadas em virtudes. 
5 Seja esta a vossa porção, que vos conduz à terra dos vivos (cfr. Sl 141,6). 
6 Aderindo totalmente a ela, queridas Irmãs, nada mais queirais possuir em perpétuo abaixo do céu, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo e de sua santíssima Mãe. 

7 A nenhuma Irmã seja permitido mandar cartas, receber ou dar alguma coisa fora do mosteiro sem licença da abadessa.
8 Nem seja lícito ter alguma coisa que não tenha sido dada ou permitida pela abadessa. 
9 Se algo for enviado a alguém por parentes ou por outros, faça a abadessa que isso lhe seja dado. 
10 Ela mesma, se tiver necessidade, poderá usá-lo; se não, que o dê com caridade a uma Irmã que precise.
11 Mas se lhe for mandado algum dinheiro, a abadessa, com o conselho das discretas, faça provê-la do que tiver necessidade. 
12 Quanto às Irmãs doentes, a abadessa seja firmemente obrigada a informar-se solicitamente por si mesma ou por outras Irmãs, do que é exigido por sua enfermidade, tanto em conselhos como em alimentos e outras necessidades 
13 e a prover com caridade e misericórdia, de acordo com as possibilidades do lugar.
14 Porque todas devem prover e servir suas Irmãs enfermas, como gostariam de ser servidas, se tivessem alguma doença. 
15 Manifeste com segurança, uma à outra, sua necessidade. 
16 E se uma mãe ama e nutre sua filha (cfr. 1Ts 2,7) carnal, quanto mais diligentemente deve uma Irmã amar e nutrir sua irmã espiritual?
17 As que estão doentes deitem-se em colchões de palha e tenham à cabeça travesseiros de penas; 
18 e as que precisarem podem usar meias de lã e acolchoados. 
19 As referidas enfermas, quando forem visitadas por quem entra no mosteiro, podem, cada uma por si, responder com algumas palavras breves aos que lhes falarem. 
20 Mas as outras Irmãs que têm licença não ousem falar com os que entram no mosteiro, a não ser estando presentes duas Irmãs discretas designadas pela abadessa ou por sua vigária. 
21 A abadessa e sua vigária também sejam obrigadas a observar essa forma de falar.

Capítulo 9

A penitência a impor-se às irmãs que pecam e as irmãs que servem fora do mosteiro
1 Se uma Irmã, por instigação do inimigo, pecar mortalmente contra a forma de nossa profissão e, admoestada duas ou três vezes pela abadessa ou por outras Irmãs, 
2 não se emendar, deve comer pão e água, no chão, diante de todas as Irmãs, por quantos dias for contumaz;
3 e, se assim parecer à abadessa, seja submetida a pena mais grave. 
4 Enquanto for contumaz, reze-se para que o Senhor ilumine seu coração para a penitência. 
5 Mas a abadessa e suas Irmãs devem tomar cuidado para não se irar nem se perturbar pelo pecado de alguém, 
6 porque a ira e a perturbação impedem a caridade em si e nos outros. 

7Se acontecer, tomara que não, que surja alguma vez entre duas Irmãs uma ocasião de perturbação ou de escândalo por causa de alguma palavra ou gesto, 
8 a que tiver causado a perturbação imediatamente, antes de oferecer o dom (cfr. Mt 5,23) de sua oração diante do Senhor, não só se prosterne humildemente aos pés da outra, pedindo perdão, 
9 mas também rogue com simplicidade que interceda por ela diante do Senhor para que a perdoe.
10 Mas a outra, lembrando a palavra do Senhor: Se não perdoardesde coração também o Pai do céu não vos perdoará (cfr. Mt 6,15; 18,35), 
11 perdoe generosamente sua irmã por toda ofensa que lhe tenha feito. 

12 As Irmãs que servem fora do mosteiro não se ausentem por muito tempo, a não ser que o exija uma manifesta necessidade. 
13 Devem caminhar com honestidade e falar pouco, para poderem edificar sempre os que as virem. 
14 E guardem-se firmemente de ter relacionamentos ou encontros suspeitos com alguém. 
15 Nem se façam comadres de homens ou de mulheres, para que isso não dê ocasião para murmuração ou perturbação. 

16 Não ousem trazer os boatos do mundo para dentro do mosteiro. 
17 E sejam firmemente obrigadas a não contar fora do mosteiro o que se fala ou se faz dentro que possa causar algum escândalo. 
18 Se alguma incorrer nesses dois pontos por simplicidade, cabe à prudência da abadessa dar-lhe a penitência, com misericórdia.
19 Mas se tiver o mau costume de fazer isso, imponha-lhe a abadessa uma penitência com o conselho das discretas, de acordo com o grau da culpa. 


Capítulo 10

A admoestação e a correção das irmãs
1 A abadessa exorte e visite suas Irmãs e as corrija com humildade e caridade, não lhes prescrevendo nada que seja contra sua alma e a forma de nossa profissão. 
2 Mas as Irmãs súditas lembrem-se de que, por Deus, renunciaram a sua própria vontade. 
3 Por isso devem obedecer firmemente a suas abadessas em tudo que prometeram ao Senhor observar e que não é contrário a sua alma e à nossa profissão. 
4 A abadessa, porém, tenha tanta familiaridade com elas que possam falar e fazer com ela como as senhoras com sua serva. 
5 Pois assim deve ser, que a abadessa seja servidora de todas as Irmãs. 
6 Admoesto e exorto no Senhor Jesus Cristo, que se guardem as Irmãs de toda soberba, vanglória, inveja, avareza (cfr. Lc 12,15), cuidado e solicitude deste mundo (cfr. Mt 13,22; Lc 21,34), da detração e da murmuração, da dissensão e da divisão. 
7 Antes, sejam sempre solícitas em conservar, umas com as outras, a unidade do amor mútuo, que é o vínculo da perfeição (Cl 3,14). 

8 E as que não sabem letras não procurem aprendê-las; 
9 mas lembrem que, acima de tudo, devem desejar ter o espírito do Senhor e sua santa operação, 
10 orar sempre a ele com coração puro e ter humildade, paciência na tribulação e na doença, 
11 e amar os que nos perseguem (cfr. Mt 5,44), repreendem e acusam,
12 porque, diz o Senhor: Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque deles é o reino dos céus(Mt 5,10).
13 E quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10,22). 


Capítulo 11

A observância da Clausura
1 A porteira seja de comportamento maduro, discreta e de idade conveniente; de dia deve permanecer lá, numa pequena cela aberta, sem porta. 
2 Seja-lhe designada uma companheira idônea que, se necessário, a substitua em tudo. 

3 A porta deve ser bem defendida por duas fechaduras diferentes de ferro, por trancas e trincos, 
4 de modo que, principalmente de noite, fique fechada com duas chaves, uma das quais esteja com a porteira e a outra com a abadessa. 
5 De dia não se deixe jamais sem guarda e seja fechada seguramente com uma chave. 

6 Cuidem com toda diligência que a porta nunca fique aberta, a não ser o mínimo possível, segundo a conveniência.
7 E não se abra absolutamente a quem quiser entrar, a não ser que lhe tenha sido permitido pelo Sumo Pontífice ou pelo senhor nosso Cardeal.
8 E as Irmãs não permitam que alguém entre no mosteiro antes do nascer do sol nem que nele permaneça depois do ocaso, se isso não for exigido por uma causa manifesta, razoável e inevitável. 

9 Se a algum bispo for permitido celebrar missa dentro do mosteiro para a bênção da abadessa, para a consagração de alguma das Irmãs como monja ou por outro motivo, contente-se com o menor número possível de companheiros e ministros, e com os mais honestos. 
10 Mas quando for necessário introduzir no mosteiro alguns homens para fazer algum trabalho, a abadessa deve ter o cuidado de colocar na porta uma pessoa bem indicada,
11 que só abra aos encarregados da obra e não a outros. 
12 Todas as Irmãs tenham o maior cuidado para não serem vistas pelos que entrarem nessa ocasião. 


Capítulo 12

Sobre o Visitador, o Capelão e o Cardeal Protetor
1 Nosso visitador seja sempre da Ordem dos Frades Menores, de acordo com a vontade e o mandato de nosso Cardeal. 
2 Sua honestidade e bons costumes devem ser muito bem conhecidos. 
3 Seu encargo será o de corrigir, tanto na cabeça como nos membros, os excessos cometidos contra a forma de nossa profissão. 
4 Estando em lugar aberto, para poder ser visto pelos outros, poderá falar sobre o que diz respeito à visita com várias Irmãs ou com cada uma, como lhe parecer melhor. 


5 Também um capelão, com um companheiro clérigo de boa fama, de previdente discrição, e dois irmãos leigos de santo comportamento e amantes da honestidade,
6 para socorrerem nossa pobreza, como sempre nos foi dado com misericórdia pela referida Ordem dos Frades Menores, 
7 pedimos como uma graça da mesma Ordem, por amor de Deus e do bem-aventurado Francisco. 
8 Não seja permitido ao capelão entrar no mosteiro sem o companheiro. 
9 E quando entrarem, estejam em um lugar aberto, para poderem ser vistos sempre um pelo outro e pelos demais. 

10 Eles podem entrar para a confissão das enfermas que não puderem ir ao locutório, como também para sua comunhão, extrema unção ou encomendação da alma. 

11 Mas para as exéquias e a celebração da missa de defuntos, para cavar, abrir a sepultura, ou mesmo para ajustá-la, podem entrar as pessoas suficientes e capazes segundo a disposição da abadessa. 
12 Para isso sejam as Irmãs firmemente obrigadas a ter sempre como nosso governador, protetor e corretor o cardeal da santa Igreja romana que for designado pelo senhor Papa para os Frades Menores, 
13 a fim de que, sempre submissas e subordinadas aos pés da mesma santa Igreja, firmes na fé católica, observemos para sempre a santa pobreza e humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua santíssima Mãe e o Santo Evangelho, que prometemos firmemente. Amém.


Epílogo

14 Dado em Perusa, no dia 16 de setembro, no décimo ano do pontificado do senhor Papa Ino-cêncio IV. 
15 Portanto, a ninguém seja permitido infringir esta página por nós confirmada ou, com temerária ousadia, contradize-la. 
16 Se alguém tiver a presunção de fazer isso, saiba que há de incorrer na indignação de Deus todo-poderoso e dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo. 
17 Dado em Assis, no dia nove de agosto, no décimo primeiro ano de nosso pontificado. 

FONTE: Procamig.org.br

terça-feira, 7 de outubro de 2014



1. Em Francisco, uma original experiência de Deus
Vocês conhecem São Francisco de Assis. Morreu à tardinha do dia 3 de outubro de 1226. Conhecido como o santo dos passarinhos. Amigo dos animais. Da natureza toda. Padroeiro da ecologia. O santo da paz. O santo fraterno. Da fraternidade universal, humana e cósmica. Reconciliado com tudo e com todos, até mesmo com a morte, à qual ele chama de Irmã. O santo que descobriu e viveu profundamente o Amor. Tudo isso e ainda muito mais, a partir de uma profunda experiência de Deus, atestada pelos seus escritos e os de seus biógrafos (1). Não o Deus fabricado por especulações filosóficas ou teológicas, mas o Deus do Evangelho. O Deus de Jesus Cristo. Foi beijando certa vez um leproso que Francisco sentiu profundamente de que jeito Deus é. Beijando um leproso, ele se lembrou de Jesus pobre, desprezado, sofrido, marginalizado, crucificado, abandonado, só por amor de nós e para nos salvar. Foi beijando um leproso e lembrando do Jesus "que se fez leproso" (2) por nosso amor, que Francisco fez esta grande descoberta: Deus é pobre. Sim, Deus é pobre! E a Pobreza - com "P" maiúsculo, esse modo característico de Deus ser! - passa a ser para ele a grande paixão de sua vida, a sua amada, a dama de sua vida e de suas canções, até a hora derradeira, a morte corporal.
2. Francisco: uma vida em celebração
A partir desta experiência de Deus como Pobre e que por isso é Criador e Salvador, Francisco se tornou um cristão que vivia para celebrar este Deus. Lendo os escritos franciscanos mais antigos, notamos como a vida deste santo é toda pautada pela oração, pelo louvor, pela celebração, por um imenso amor à Eucaristia e por uma intensa vida de fraternidade. E o fazia criativamente, com a singeleza e a simplicidade pura de um pobre cheio de Deus. Adorava celebrar. E de corpo inteiro. Pondo emoção, afeto, coração, paixão, em suas celebrações. Por exemplo, para celebrar o nascimento de Jesus - a divina Pobreza encarnada no Menino pobre de Belém - Francisco inventou o presépio. Foi ele quem inventou o presépio de Natal! E assim, desta maneira, ele encena e torna palpável aos olhos, à mente e ao coração, o Deus que se revelou Pobre para nos libertar de nossas misérias.
3. E celebrando sua própria morte
Vou destacar e comentar brevemente para vocês, aqui, um exemplo típico de celebração litúrgica feita por Francisco. Uma celebração memorial, na sua estrutura, até bem parecida com muitas que são feitas hoje em nossas comunidades. Comporta, basicamente, três partes. Há primeiro uma encenação; depois vem uma leitura do Evangelho; e, por fim, um momento de louvor que se prolonga até...
Vejam como Tomás de Celano, o primeiro biógrafo de São Francisco, nos apresenta esta celebração. Vejam como São Francisco de Assis celebra a sua própria morte:
"Estando os frades a chorar amargamente e a se lamentar sem consolação, o pai santo mandou trazer um pão. Abençoou-o, partiu-o e deu um pedacinho para cada um comer. Também mandou trazer um livro dos Evangelhos e pediu que lessem o Evangelho de São João a partir do trecho que começa: "Antes do dia da festa da Páscoa", etc. Lembrava-se daquela sagrada ceia que foi a última celebrada pelo Senhor com seus discípulos. Fez tudo isso para celebrar sua lembrança demonstrando todo o amor que tinha para com seus frades.
Passou a louvar os poucos dias que ainda restavam até sua morte, ensinando seus filhos muito amados a louvar Cristo em sua companhia. Ele mesmo, quanto lhe permitiam suas forças, entoou o Salmo: "Lanço um grande brado ao Senhor, em alta voz imploro o Senhor", etc. Convidava também todas as criaturas ao louvor de Deus e, usando uma composição que tinha feito em outros tempos, exortava-as ao amor de Deus. Chegava a convidar para o louvor até a própria morte, que todos temem e abominam e, correndo alegre ao seu encontro, convidava-a com hospitalidade: "Bem-vinda seja minha irmã, a morte!" Ao médico disse: "Irmão médico, diga com coragem que minha morte está próxima, para mim ela é a porta da vida!"E aos frades:
"Quando perceberdes que cheguei ao fim, do jeito que me vistes despido antes de ontem, assim me colocai no chão, e lá me deixai ficar mesmo depois de morto, pelo tempo que alguém levaria para caminhar uma milha, devagar".
E assim chegou a hora. Tendo completado em si mesmo todos os mistérios de Cristo, voou feliz para Deus" (3).
4. A morte de São Francisco como celebração memorial (4)
Lá está Francisco, deitado, muito debilitado. À beira da morte. Os frades começam a chorar. E choram amargamente. Desconsolados, lamentam esta triste situação: A perda de um pai; a desgraça da morte.
Vendo os frades neste estado, Francisco, que queria tanto bem a eles, toma a iniciativa de fazer uma celebração. E assim, desta maneira tão humana e divina, ele consola os frades e os encoraja. Como? Transportando-os, no envolvimento desta celebração, para a Última Ceia de Jesus e, em Jesus, para o sentido positivo da própria morte. E ali está: "Uma comunidade eclesial que celebra liturgicamente, com Francisco, a morte deste" (5).
a) O gesto de partir o pão
Francisco manda trazer um pão. Abençoou o pão. Partiu-o e deu um pedacinho para cada um comer.
Através deste gesto, Francisco encena a Última Ceia que Jesus fez com seus discípulos antes de morrer. Assim recorda o imenso ato de amor e de doação total e perene de Jesus à humanidade, perpetuado na Eucaristia que ele reverenciava o máximo, pois o Corpo do Senhor não é senão o Pobre e Humilde que ele descobriu ao beijar o leproso (6).
O gesto se relaciona com a despedida de Jesus a seus discípulos. Os frades, semelhantemente aos discípulos de Jesus, aqui assistem à representação que Francisco faz de "sua" Última Ceia. Deste modo, Francisco celebra também a sua doação total ao Senhor, servindo aos irmãos, na vida e na morte que se aproxima. "Em obediência total a Cristo, seu Mestre e Senhor, põe em ação sua diaconia revivendo a lembrança daquela santíssima noite com uma celebração litúrgica "sui-generis", à qual associa todos os frades ali presentes" (7). Assim ele "leva os frades a suportar a dor de sua morte, para vivenciar a alegria de quem sente e possui a presença do Senhor" (8).
b) Leitura do Evangelho de João
Francisco mandou trazer também o livro dos Evangelhos. Pediu para alguém ler o Evangelho de João, capítulo 13,1-15. É o texto do lava-pés: Jesus, durante a Última Ceia, levantou-se, cingiu-se com uma toalha, e lavou os pés dos discípulos, como exemplo de humildade e serviço a ser seguido por todos.
Portanto, Francisco completa a representação de "sua Última Ceia" integrando nela esta leitura de João. É bom lembrar que, na época, quando alguém estava para morrer, após lhe serem ministrados os santos sacramentos, se lia um texto evangélico da Paixão do Senhor. Geralmente de Marcos. Aqui, no caso de Francisco, ele é original e criativo:
Ele mesmo escolhe o texto; e um texto condizente com o momento que eles estavam vivendo ali. Um texto que traz vivamente presente, neste "clima" de Última Cela, o exemplo de humildade, de minoridade e de serviço do Senhor Jesus, que ele abraçou com toda a paixão.
c) Tudo Isso para se lembrar da Última Cela e por amor aos frades
Assim, como narra Tomás de Celano, Francisco "lembrava-se daquela sagrada ceia que foi a última celebrada pelo Senhor com seus discípulos. Fez tudo Isso para celebrar o amor que tinha para com os seus frades".
Em outras palavras. Francisco se transporta e transporta os frades para a centralidade do seu ideal, que supera o horror da morte. Esta centralidade é o Senhor, pobre, humilde, menor, servo de todos que, na Eucaristia, assume a forma humilde de pão e de vinho, e na Palavra revela a presença do seu amor-serviço. O amor de Francisco, iluminado pela lembrança da Última Ceia do Senhor nesta celebração, conduz os frades a uma visão positiva da morte. Em vez de chorar, eles devem agora cantar. Devem passar (Páscoa!) do luto para a festa da vida que chega pelas portas da morte.
d) O momento de louvor
Diz Tomás de Celano que Francisco passou então "a louvar os poucos dias que ainda restavam até sua morte". E não só isso. Ele o fez, "ensinando seus filhos muito amados a louvar Cristo em sua companhia".
É o momento de louvor, na celebração. Como em tantas celebrações de nossas comunidades... Tem sempre o momento de louvor, que é o momento alto. Francisco louva, porque sente estar próximo o dia de sua passagem para a vida. Graças a Jesus Cristo. Por isso, os frades, que antes estavam tristes, chorando, desconsolados se lamentando, agora podem com seu pai cantar, louvar o imenso amor de Jesus Cristo que nos salvou.
Francisco louva, entoando o Salmo 141. Convida todas as criaturas ao louvor de Deus. Para tanto, usa inclusive o Poema que ele mesmo havia composto, o célebre "Cântico do Irmão Sol", através do qual também exorta todas as criaturas ao amor de Deus. Chega a convidar para o louvor até a própria morte que se aproximava, à qual dá as boas-vindas, como sua irmã. Louva a Deus pela irmã morte. Louva, porque esta, "que todos temem e abominam", para Francisco é sentida como "a porta da vida". Louva, pois ele, a esta altura, estava plenamente identificado com a Fonte da Vida: Deus (9). Assim, em Francisco ainda vivo, no embalo desta celebração, a morte já era percebida como tragada pela Vida. Os frades não precisam mais chorar nem se lamentar: mas sim celebrar o mistério do Amor que ali se fazia presente.
5. Concluindo
Vou concluir com as palavras do meu confrade espanhol. J. Tresserras Basela: Vimos como, pela narração de Tomás de Celano, se destaca "o caráter de celebração-memorial que a morte de Francisco tem". Vemos aí "o caminho ascendente do Pobrezinho de Assis que se prepara para participar da Ressurreição. E não querendo permanecer só, neste momento, ele envolve nesta celebração os frades e toda a criação para que com ele gozem da plenitude deste momento" (10)
Para nós, para as nossas comunidades e para as equipes de liturgia, fica este exemplo de São Francisco: Uma celebração será boa, isto é, viva, criativa, envolvente, convincente, e produzirá frutos de evangelização, se ela vier carregada de uma mística, se ela vier carregada de uma experiência de Deus, do Deus Pobre que está do lado do pobre.
_____________________________________________________________________________________________
(1). Cf. São Francisco de Assis, Escritos e biografias de São Francisco de Assis. Crônicas e outros testemunhos do primeiro século franciscano, Vozes/CEFEPAL, Petrópolis 1981. Cf. também L. Boff, São Francisco de Assis: Ternura e Vigor, Vozes, Petrópolis 1982.
(2). Cf. São Boaventura, "Legenda Maior" I, 6, em: São Francisco de Assis, Escritos e biografias..., op. cit, p. 468: I Fioretti, 25, em: Ibidem, p. 1130.
(3). Cf. São Francisco de Assis, Escritos e biografias..., op. clt., p. 441.
(4). Cf , J. TRESSERRAS Basela. La muerte de San Francisco como celebración memorial Análisis de la "Vita secunda" 217 de Tomás de Celano, comparación con otras biografias. Editrice Antonianum, Roma, 1990.
(5). Ibidem, p. 135.
(6). Cf. D. FLOOD. Frei Francisco e o Movimento Franciscano, Vozes/CEFEPAL. Petrópolis 1986. p. 158-178.
(7). J. TRESSERRAS Basela, op. cit.. p. 143. Francisco era apenas diácono, não quis usurpar o poder sacerdotal de consagrar, mas quis imitar Jesus até o fim. Foi então que realizou a celebração da aliança nova e eterna{L. Boff. op. cit., p. 176).
(8). J. TRESSERRAS Basela. op. ciL, p. 149.
(9) L.BOFF, op, cit, p.172-180; Idem, "Uma irmã de São Francisco: a morte", Grande Sinal 36 (1982) p. 451-464
(10). J. TRESSERRAS Basela, op. Cit., p.212.


sábado, 4 de outubro de 2014



Introdução
Depois da Regra Bulada, o Testamento é o documento melhor e mais amplamente documentado de São Francisco. Ninguém duvida de sua autenticidade. O próprio título Testamento procede do texto do Santo. Sabe-se que São Francisco o ditou em seus últimos dias, depois de ter discutido vários pontos com os frades. Ele queria que fosse lido sempre depois da Regra, e isso sempre foi feito. Mas, desde o início, houve discussões a respeito do valor obrigatório desse documento. Já Gregório IX declarou, em 1230, que o Testamento não era obrigatório. Mas não há dúvida de que ele expressa de maneira muito candente, o pensamento do Santo sobre a sua própria vida e a que Deus lhe havia inspirado para os Frades Menores.
                                     
Testamento de São Francisco
1.O Senhor assim deu a mim, Frei Francisco, começar a fazer penitência: porque, como estava em pecados, parecia-me por demais amargo ver os leprosos.
2.E o próprio Senhor me levou para o meio deles, e fiz misericórdia com eles.
3.E afastando-me deles, aquilo que me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do corpo; e depois parei um pouco e saí do século.
4.E o Senhor me deu tal fé nas igrejas, que assim simplesmente orava e dizia:
5.Nós te adoramos, Senhor Jesus Cristo, também em todas as tuas igrejas, que estão em todo o mundo, e te bendizemos, porque por tua santa cruz remiste o mundo.
6.Depois o Senhor me deu e dá tanta fé nos sacerdotes, que vivem segundo a forma da santa Igreja Romana, por causa de sua ordem, que, se me fizerem perseguição, quero recorrer a eles mesmos.
7.E se tivesse tanta sabedoria, quanta teve Salomão (cfr. 3Rs 4,30-31), e encontrasse sacerdotes pobrezinhos deste século, nas paróquias onde moram não quero pregar além da sua vontade.
8.E a eles e todos os outros quero temer, amar e honrar como a meus senhores.
9.E não quero considerar pecado neles, porque enxergo neles o Filho de Deus, e são meus senhores.
10.E o faço por isto: porque nada vejo corporalmente neste século do mesmo Filho de Deus, senão o santíssimo Corpo e o seu santíssimo Sangue, que eles recebem e só eles administram aos outros.
11.E esses santíssimos mistérios sobre todas as coisas quero que sejam honrados, venerados e colocados em lugares preciosos.
12.Os santíssimos nomes e suas palavras escritas, onde quer que os encontre em lugares ilícitos, quero recolher e rogo que sejam recolhidos e colocados em lugar honroso.
13.Também a todos os teólogos e aos que nos administram as santíssimas palavras divinas devemos honrar e venerar como a quem nos administra espírito e vida (cfr. Jo 6, 64).
14.E depois que o Senhor me deu frades, ninguém me ensinava o que deveria fazer, mas o próprio Altíssimo me revelou que deveria viver segundo a forma do santo Evangelho.
15.E eu o fiz escrever em poucas palavras e simplesmente, e o senhor papa confirmou para mim.
16.E os que vinham tomar a vida davam aos pobres tudo que podiam ter (Tob 1,3), e estavam contentes com uma única túnica, remendada por dentro e por fora, com o cíngulo e as bragas.
17.E não queríamos ter mais.
18.Os clérigos dizíamos o Ofício segundo os outros clérigos, os leigos diziam: Pai-nosso (Mt 6,9-13); e ficávamos nas igrejas muito de boa vontade.
19.E éramos iletrados e súditos de todos.
20.E eu trabalhava com minhas mãos (cfr. At 20,34), e quero firmemente que todos os outros frades trabalhem em trabalho que convém à decência.
21.Os que não sabem, aprendam, não pela cobiça de receber o preço do trabalho mas pelo exemplo e para repelir a ociosidade.
22.E quando não nos derem o preço do trabalho, recorramos à mesa do Senhor, pedindo esmola de porta em porta.
23.Uma saudação me revelou o Senhor, que disséssemos: O Senhor te dê a paz (cfr. 2Ts 3,16).
24.Cuidem os frades que de nenhum modo recebam as igrejas, habitações pobrezinhas e tudo que para eles se constrói, se não forem como convém à santa pobreza, que na Regra prometemos, sempre aí se hospedando como forasteiros e peregrinos (cfr. 1Pd 2, 11).
25.Mando firmemente por obediência a todos os frades que, onde quer que estejam, não se atrevam a pedir letra alguma na Cúria Romana, por si ou por pessoa intermediária, nem para alguma igreja ou algum outro lugar, nem por aparência de pregação nem por perseguição de seus corpos;
26.mas onde quer que não forem recebidos, fujam para outra terra, para fazer penitência com a bênção de Deus.
27.E firmemente quero obedecer ao ministro geral desta fraternidade e ao outro guardião que lhe aprouver dar-me.
28.E de tal modo quero estar preso em suas mãos que não possa ir ou fazer mais do que a obediência e a sua vontade, porque é meu senhor.
29.E embora seja simples e enfermo, contudo sempre quero ter um clérigo que me faça o ofício como está contido na Regra.
30.E todos os outros frades tenham que obedecer assim aos seus guardiães e a fazer o ofício segundo a Regra.
31.E os que se descobrisse que não fazem o ofício segundo a Regra, e quisessem variar de outro modo, ou não fossem católicos, todos os frades, onde quer que estejam, sejam por obediência obrigados a, onde quer que encontrem algum desses, apresentá-lo ao custódio mais próximo desse lugar onde o tiverem encontrado.
32.E o custódio seja firmemente obrigado por obediência a guardá-lo fortemente, como um homem em prisão de dia e de noite, de modo que não possa ser arrancado de suas mãos, até que em sua própria pessoa o apresente nas mãos de seu ministro.
33.E o ministro firmemente esteja obrigado, por obediência a enviá-lo por meio de tais frades, que o guardem de dia e de noite como homem em prisão, até que o apresentem diante do senhor de Óstia, que é o senhor, protetor e corretor de toda a fraternidade.
34.E não digam os frades: "Esta é outra Regra", porque esta é uma recordação, admoestação, exortação e meu testamento, que eu, Frei Francisco, pequenino, faço a vós, meus irmãos benditos, para isto: para que mais catolicamente observemos a Regra que prometemos ao Senhor.
35.E o ministro geral e todos os outros ministros sejam obrigados por obediência a não acrescentar ou diminuir (cfr. Dt 4,2; 12,32) nestas palavras.
36.E tenham sempre este escrito consigo junto da Regra
37.E em todos os capítulos que fazem, quando lêem a regra, leiam também estas palavras.
38.E a todos os meus frades, clérigos e leigos, mando firmemente por obediência que não ponham glosas na regra em nestas palavras, dizendo: "Assim devem entender-se".
39.Mas assim como o Senhor me deu de dizer e escrever simples e puramente a regra e estas palavras, assim simplesmente e sem glosa as entendais e com santas obras as guardeis até o fim.
40.E todo aquele que observar estas coisas, no céu seja repleto da bênção do altíssimo Pai e na terra seja repleto da bênção do seu dileto Filho com o santíssimo Espírito Paráclito e todas as virtudes do céu e todos os santos.
41.E eu, Frei Francisco, pequenino servo vosso, tanto quanto posso vos confirmo por dentro e por fora esta santíssima bênção.

FONTE: Procamig.org.br

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